Yasmin  

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(De Basiliüs sobre Yasmin)

Caminho perdido em pensamentos confusos, dissecando um passado esquecido, de forma tentada, magoado por um olhar pensado que me cortou bem fundo.

Olha para trás, não passamos bons momentos?
Olha para trás, lembra-te do teu sorriso.
Olha para trás, foste feliz! Não valeu a pena?

Sigo o meu caminho sem saber se estou perdido, se é o caminho correcto mas seja como for é o meu caminho e levar-me-à onde eu nunca estive a quem eu nunca fui e pelo caminho irei encontrar caras novas de pessoas que nunca irei conhecer. Neste caminho não busco um destino, quero sim usufruir da viagem.
A teu lado não havia viagem, havia o frio das correntes com que me prendias a ti, o calor do teu amor que queimava os meus sonhos, o meu sorriso de agradecimento por me achar mais do que o que sou, a dor interna de estar a abdicar de mim por ti.
Nunca te pedi para deixares de me amar e muito menos te pedi para me odiares, simplesmente te pedi para me libertares, para me deixares ser simplesmente eu, e não me moldares no homem que querias que fosse.

Errei, desculpa. Ainda erro, desculpa. Irei errar imenso por toda a minha vida, desculpa.
Desculpa pelo que disse, pelo que não disse, pelo que fiz e pelo que deveria ter feito. Não te peço para esquecer, unicamente desculpar. Eu nunca te esqueci, nunca deixei de te amar, mas há muito que te perdoei.

Querias estar a meu lado para sempre, querias amar-te para sempre, querias ser minha e que eu fosse teu para sempre. Disseste "toma-me, sou tua", mas não ponderaste a eternidade das tuas palavras. Errei por te tornar no que sou. Errei por sugar de ti a tua vida mortal e te dar em troca a imortalidade, mas pensava inocentemente estar a dar-te o que querias... a imortalidade a meu lado.

O homem que amaste é o monstro que odeias, um monstro que eu já era mas que não vias ou não querias ver. Estive a teus pés, à tua mercê, poderias ter posto um fim àquilo que sou mas optaste por poupar a minha vida sabendo que a tua lamina de prata é a única que poderá mortalizar a minha imortalidade. Nada disseste mas o teu olhar feriu de uma forma brutal enquanto para mim, a tua lamina seria a libertação de quem sou.

Um minuto sem ti é um pesadelo mas a eternidade do teu ódio é um inferno. Sabes que nunca irei erguer a minha lamina contra ti e por isso a minha imortalidade estará nas tuas mãos. Se não me libertaste na tua vida humana, poderás fazê-lo na tua imortalidade, tomando a minha, alimentando-te de mim. Assim poderá ser que a tua dor, o teu ódio seja apaziguado pelo derramar do meu sangue gelado.

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2 Devaneios

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o ódio aparece quando o amor adoeceu gravemente

beijo
boa semana
teresa

26 de outubro de 2009 às 02:44

E Basiliüs sofrerá mais na sua não-vida com o amor-ódio de Yasmin do que com a lâmina de prata...

Yasmin quer o sofrimento dele, se o matar, acaba-se-lhe o objecto de ódio e a razão da sua existência também...
Não, ela não pesou as palavras que proferiu.
E ele deixou-se levar pelo frenesim...

Quem não erra?

Adorei o texto!
Beijitos

29 de outubro de 2009 às 20:06

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