Basiliüs  

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31 de Dezembro. 23 horas. Noite de lua cheia. Ao longe ouvia uivos de lobos misturados com os assobios gélidos do vento, e lá estava ela sentada na sua poltrona lendo “Basiliüs”, o livro da minha vida, leitura que intercalava com um olhar triste pela janela. Eu sei que ela me esperava desde o dia em que parti, e eu desde esse dia sonhava em voltar a vê-la... Tê-la. A escolha que me foi dada era maior que eu, eu não poderia escolher entre viver a seu lado até ao fim da sua vida, vendo-a a envelhecer e morrer um pouco mais todos os dias, mas também não podia tê-la ao meu lado para toda a eternidade tornando-a num monstro como eu. Uma escolha de amor, o amor egoísta de a ter para sempre e o amor piedoso de a deixar ter a vida que eu queria e que me foi negada... Ser mortal sem viver neste constante frenezim.

A cara dela estava lavada em lágrimas serenas e eu chorava por dentro como o animal que sou, ao vê-la. Eu queria que ela soubesse que estou ali e que estarei sempre ali, a seu lado, protegendo-a do mundo cruel que ela conheceu através de mim. Ela ao saber quem sou, o que sou, tornou-se num alvo e o meu amor obriga-me a protegê-la por toda a sua vida, pois eu tenho tempo, tenho todo o tempo do mundo.

Não há cruz que me assuste. Não há água benta que me queime. Não há alho que me afaste. Não há sol de que me esconda. Não há caixão onde durma. Não durmo. Não me canso. Não como. Não bebo. Só o frenezim.

Ela queria ficar comigo para sempre, e eu com ela. Só que ela não sabe que para sempre é tempo demais, não é tempo demais para amar mas sim para viver, se é que isto se pode chamar vida.

O cheiro do corpo dela enche-me, domina-me, turva-me o pensamento e o julgamento, o frenezim contraí todos os meus músculos sinto o sangue a correr de forma alucinada nas minhas veias e sinto, vejo o sangue dela morno, doce, irresistível, enquanto meu ferve. O frenezim toma conta de mim. Grito por dentro por longos instantes enquanto lembro os momentos felizes que passámos juntos, quando eu era só um homem e ela a minha mulher. Quando eu a seu lado me desliguei do monstro e me senti humano. Quando eu me senti pela primeira vez leve, livre e aquele sentimento a que chamam felicidade. Sim, senti isso.

Aproximo-me dela lentamente na escuridão quebrada pelo seu candeeiro de leitura. Gandir deitado a seus pés levanta a cabeça sem me denunciar, reconhecendo-me.

Sem se levantar, sem olhar para trás, ela diz “toma-me, sou tua”, num impulso irreflectido pego-a, sugo-a, sinto-me a pairar drogado pela doçura do seu sabor, extasiado pela satisfação do desejo e o saciar do frenezim. Deu para ouvir seu último suspiro, deu para sentir a última batida do seu coração. Senti o arrepiante gelar da sua pele. Pela primeira vez, na minha maldição a que chamam vida, chorei, chorei por ter cedido ao animal em mim e ter privado quem eu mais amava de viver.

Olho-a jazida no chão. Pálida. Mordo o meu lábio até sangrar e beijo-a. Sento-me e com “Basiliüs” na mão e inicio a escrita de uma nova página, a nossa página, enquanto espero pelo renascer da minha amada. Agora na maldição depois da morte, nada nos pode separar a não ser...

O frenezim...

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12 Devaneios

WOOOOOOOOWWWWWWWWW

Ameeeeeeeeeeeiiiiiiiiii!!!

Não estava à espera disto!

Adorei!
Adorei, adorei, adorei!!!! :D

"Gandir" é o quê?? Um cão? Um gato??
Que raio de nome...... lol

Beijitos :)

Adorei mesmo!!! :D

27 de agosto de 2009 às 01:22

Uau está muito bom. Frenesim foi o que senti depois de ler este teu texto.
:)

27 de agosto de 2009 às 03:02

Este...

Sim, o frenesim. Sente-se.

;)

Gostei, claro que sim, e quero mais deste!

27 de agosto de 2009 às 13:39

Vampiresco...

Muito Bom!

27 de agosto de 2009 às 23:16

Gostei. Pena ser tão curto... sabe a pouco! :-)

30 de agosto de 2009 às 02:39

Fada:

""Gandir" é o quê?? Um cão? Um gato??"

É um periquito :)

2 de setembro de 2009 às 05:18

I.D.Pena:

"Uau está muito bom. Frenesim foi o que senti depois de ler este teu texto."

Não mordas ninguém.

2 de setembro de 2009 às 05:18

Jane Doe:

"Gostei, claro que sim, e quero mais deste!"

Pois mas ainda só há isto, é só uma ideia que pode morrer aqui ou começar uma série mas já comecei tantas e não as acabo...

2 de setembro de 2009 às 05:18

Lilly:

É, eu nunca escrevi sobre este tema.

2 de setembro de 2009 às 05:18

Stiletto:

Se é curto é curto, mas se for longo ninguém lê, por isso mais vale vários curtos :)

2 de setembro de 2009 às 05:18

Mas esta vais continuar!

Vais nao vais?

Eu faço-te um desenho para te inspirares!

(Eu a desenhar vampiros na noite pois claro...)

4 de setembro de 2009 às 22:26

Ena, ena, ena, ena, ena! Mais, mais, mais, mais! è como eu já disse ali em cima ao LBJ, deviam mas era organizar um curso de escrita criativa online. :)

Ah o gandir era um periquito??? ahahahahahah!!! E, porque não?...

Mete mas direitos nisto senão ainda tens sthephanies crepúsculo meyers a copiar a ideia... :D

5 de setembro de 2009 às 21:46

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