Amor Eterno  

Posted by Bruno Fehr in


Era uma vez...
Há muito, muito tempo, numa fortaleza do Norte de África, governava uma rainha, de nome Íris. Bela e delicada como uma flor, Íris era apreciada e amada pelo seu povo... Mas odiada por quem queria apoderar-se do poder...

No quarto, iluminado pela lua cheia e percorrido por uma brisa agradável que agitava ligeiramente as cortinas do mosquiteiro, um casal repousava.
Nos braços de Ismael, Íris não dormia. Tinha tanto em que pensar, tantas responsabilidades, para com o reino, para com o povo, mas a respiração calma do amado que dormia, da paz que os unia, acabou por embala-la e o sono chegou.

Os dias decorriam serenos, com as responsabilidades de ambos divididas, pois ela governava o povo, e ele vinha do povo. No entanto, a força dos sentimentos unira-os e era um casal dedicado ao bem-estar do reino, do povo que adoravam e que lhes retribuía esse afecto. O reino crescia, próspero e em paz, longe de guerras e tumultos.
A vida corria sem grandes sobressaltos mas o perigo espreitava.

Teresa, a sacerdotisa, desejava o poder, e começou a conspirar para derrubar Íris.
Em pouco tempo, descobre que a única forma de destronar a governante seria através do marido, de conseguir quebrar a ligação que os unia. Tirando-lhe o Amor que a alimentava, Íris fraquejaria e estaria à mercê dela.

Teresa, sedutora e inteligente, procura e encontra aliados.
O primeiro, seria o irmão de Íris, que não pudera governar devido às leis de sucessão e que cobiçava ser rei. Não sendo, nem de longe, tão apreciado pelo povo, era um trunfo forte devido à sua origem.
Depois, Teresa começou um jogo de sedução, com Ismael. Conquistou a sua confiança para o conhecer melhor, e descobrir-lhe as fraquezas. A tarefa revelou-se simples. Usou a insegurança dele, devida à diferença de estatuto. Disse-lhe que as pessoas nem sempre entendiam os sentimentos dele. Que o consideravam interesseiro e materialista. Aproveitando estas fragilidades, Teresa começa a envenenar-lhe o espírito, insinuando que Íris lhe seria infiel.

Ao mesmo tempo que esta conspiração se desenrolava apareceu na corte um embaixador vindo de uma tribo vizinha. Querendo manter a paz na região, que tanto tinha custado a alcançar, Ísis vê-se obrigada a passar algum tempo com esta visita, em reuniões e encontros políticos, descurando um pouco a harmonia familiar.
Por sua vez, o embaixador sente-se logo atraído pela governante, a qual não suspeita de nada.

Ismael, cada vez mais só, cada vez mais influenciado por Teresa, começa a acreditar na infidelidade da esposa.
Algum tempo decorre e o clima entre o casal começa a deteriorar-se. As insinuações de Teresa e alguns factos que não passam de coincidências e de coisas banais, são agora, aos olhos de Ismael, prenúncios de traições.

Teresa, prosseguindo o seu plano, consegue subornar o Guarda-Real, para a avisar de todas as movimentações de Íris. A armadilha, cada vez mais maquiavélica, estava montada!
Numa tarde de Verão, o embaixador tenta seduzir a governante. Oferece-lhe flores raras e jóias preciosas.
Ismael, de longe, observa a cena mas não percebe a resposta negativa que a esposa dá ao embaixador. Teresa, ao seu lado, “interpreta-lhe” a cena: as flores e as jóias eram uma oferta pelo amor que os uniria, pelo sexo que teriam tido.
Ismael fica louco. Chega perto de Ísis e discutem.
Da nada valeu a Íris tentar explicar o que se estava a passar. Ismael ficou irredutível. Queria acabar com o casamento, que não tolerava traições:
- Já não és a minha flor! – responde num tom frio.

O casamento deles acaba e Íris entra em depressão. Fragilizada no que lhe dava força, acaba por permitir que o irmão tomasse o seu lugar e deixa o poder. Fora desacreditada na sua essência, perdera as forças, perdera até a vontade de viver.

O irmão toma o poder, influenciado por Teresa e pelo Guarda-real e o povo sofre alguma opressão. O reino perde a prosperidade alcançada e a guerra avizinha-se, em parte devido ao incidente com o embaixador, que se retira.

Irís definha, como uma flor que murcha. Exila-se numa das suas fortalezas fora da capital do reino, ausente da realidade política e do mundo em geral. O irmão assegura-se que esteja alimentada e cuidada, mas sem interesse por nada, sem acesso às novidades da corte.

Teresa consegue seduzir Ismael, que tenta com ela uma vida em conjunto, mas com grandes dificuldades. Ele sente falta da sua flor, dos seus carinhos.

E os anos vão passando, num reino que vai perdendo o brilho próspero de outrora, sob influência gananciosa e desgoverno político.

Mas um dia...
Ismael é chamado ao reino vizinho. Pensando ir em trabalho, depara-se com o embaixador às portas da morte.
Revoltado por ter de o encarar, tenta sair da sua presença.
Mas antes de Ismael sair, o moribundo revela que Íris é inocente. Que nunca acontecera nada apesar das suas investidas, que ela sempre o recusara por Amor ao marido.
E diz-lho apenas porque sempre esperara que Íris o desejasse e amasse como amara Ismael, mas ela partira e ele nunca mais a tinha visto. E findo estes anos todos, o embaixador estava mortalmente ferido e desejava morrer com a consciência tranquila de quem dissera a verdade.

Um calafrio percorre Ismael. A revolta que sente é enorme.
O embaixador, nas suas últimas forças, revela que fora contactado por Teresa para ajudar nos seus planos. Prometera-lhe ouro e a rainha. Ele aceitara, porque a desejava. Revela também o envolvimento do irmão e do chefe da guarda.

Ismael corre para Íris.
Esta, no primeiro impulso quase que o beija.
Ainda gostava dele.
Após aqueles anos todos, ainda gostava dele.
Ele tenta pedir desculpa. Falam durante muito tempo. Ela continua magoada por ele não ter acreditado nela. Ele sente-se revoltado por se terem aproveitado dos seus sentimentos, pela sua fraqueza, por ter duvidado dela.

Regressam à capital.
Ismael confronta Teresa que nega tudo. Contudo, ele não fora o único a ouvir a confissão do embaixador. O irmão de Íris é também deposto. O Guarda-Real incrimina Teresa, que foge.
Alguns dos súbditos mais fiéis a Íris perseguem-na para que a justiça seja feita, mas acabam por morrer nas mãos dela e dos seus guardas. Apenas um regressa contando o sucedido.

Íris não regressa ao poder. Uma doença apoderara-se dela e consumira-a tanto quanto a sua tristeza e estava em fase terminal.

Os últimos dias de Íris aproximam-se.
Ismael despede-se de sua flor. Apenas a dor dele não ter acreditado nela a magoava, de resto, estava serena. E ele também sofria com isso.
- Minha flor... Perdoa-me...
Com um sorriso triste e sem forças para falar, ela toca-lhe no rosto amado e debruçado sobre a sua mão.
- Encontramo-nos noutra vida, amor...

E com estas últimas palavras, Íris fechou os olhos para sempre.
Ismael chorou.
Nada mais podia ser feito... apenas restava a esperança de se encontrarem numa próxima vida para reviver o amor verdadeiro que sempre os unira…

                                                                                                       Por: Tulipa Branca

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3 Devaneios

Amor Eterno...
Ligações kármicas...
Ressurreição, renascimento, and so on...

Este tema dá pano para mangas! ;)


Beijitos :)

20 de fevereiro de 2011 às 12:11

Greetings from USA! I love your blog.
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Thanks!

21 de fevereiro de 2011 às 06:10

Que maravilhosa história :D

22 de fevereiro de 2011 às 10:18

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