Quem és tu?  

Posted by Bruno Fehr in

Sonhei que estava contigo. Ausente de mim observava-me a observar-te. Estavas sem expressão e nos teus olhos uma interrogação.
Viraste costas e eu disse:

-Espera!

Parecias esperar por mais palavras, querias todas as palavras que não conseguia dizer e partiste. Espera era tudo o que queria dizer. Mas não te posso pedir para esperar por um tempo que poderá não vir. Esperar pelas palavras que me recuso a sentir. Esperar pelas escolhas que me recuso a fazer. Esperar por me decidir a viver. Dizer-te espera era tudo, não percebeste e ainda bem. Não te poderia prender aqui, ao meu sonho, pois isto é só um sonho do qual acordo sempre com a sensação de pesadelo.
Querer que esperes é injusto, partir contigo é impossível pois levaria-me a um futuro eternamente ausente tendo o passado sempre presente.

-Quando olhas para mim, quem vês?

Foi esta a pergunta mais difícil que me fizeste, pois não te consigo mentir e a verdade seria dolorosa. Vejo-a em ti mas sei que não és ela. Gosto do que vejo mas não sei quem tu és. Sei que és única. Mas... o amor sente-se por pessoas e as pessoas são únicas, mas como funciona ele em relação a duas únicas aparentemente iguais? Tu serias sempre tu mas parecerias-te sempre com ela, percebes?
A melhor forma de evitar responder é questionar:

-Quem és tu?

Não há questão sobre ovo ou galinha, sobre o sentido da vida, sobre gato de Schrödinger com resposta mais difícil que um simples: Quem és tu?

E tu que acabaste de ler esta divagação: Quem és tu?


(excerto de "Velho demais para ser", por Bruno Fehr)

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4 Devaneios

Sou um arco-íris: umas vezes presente e vivo, outras ausente e sem rasto.

18 de maio de 2010 às 12:31

Só tu para me fazeres quebrar o meu "silencio".

Boa pergunta.

Não consigo responder de outra forma que esta...

Eu sou eu.

19 de maio de 2010 às 00:23

Eu diria que é A pergunta.
Sou tanta coisa ao mesmo tempo que apenas uma palavra o pode resumir: EU!
:)

19 de maio de 2010 às 14:23

Ora...

Eu sei quem sou, mas responder-te implicaria que ficasses a saber mais que eu!!!

Logo, recuso-me a responder (-te).

;)

E quanto aos dilemas de amor... Pode-se amar de maneira diferente duas pessoas aparentemente iguais. (ultimamente, farto-me de dizer isto em imensos blogs)
Diz-me, se tivesses filhos gémeos idênticos, mas com personalidades diferentes, ama-lo-ias da mesma maneira ou de maneira diferente?
Amarias mais um que outro?

Portanto, eu acredito que no nosso coraçao cabe muita gente, e nunca os amores são iguais, pois nós também mudamos. :)

Beijitos :)

3 de junho de 2010 às 21:34

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