Cerilis  

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Online.

Eu sou Cerilis, Eurobot XI, unidade 3009 da brigada de leste. Tenho... o meu mecanismo está seco não funciono na perfeição. A minha base de dados dá-me uma data que não coincide com a minha memória central, isto poderá ter dois motivos: Primeiro, que o meu sistema foi manipulado de alguma forma. Segundo, que eu estive desligado durante séculos.

Eu sou Cerilis, Eurobot XI, unidade...ou fui. Não sei o que sou na verdade, mas a minha memória central permanece intacta.

As estrelas sobre mim formam os padrões da Terra no meu banco de memória. No entanto este não é o mundo que conheço, o berço da humanidade. Olho o chão na minha base, o aspecto do solo é terrestre e familiar. Coníferas e vegetação perene atingem a altura de um terço da minha estrutura. Na minha base de dados isto era um deserto. O céu está livre de sinais electromagnéticos. Contraditório, tendo em conta que o ar está altamente contaminado e não é possível o ser humano sobreviver nestas condições. De alguma forma a vegetação adaptou-se e o planeta vive.

Sou uma máquina de guerra. A minha missão é defender a fronteira Euro-Asiática e não deixar que humanos passem esta linha de defesa, para isso estou armado para exterminar quem o tente fazer. A federação Euro-Americana está em guerra com a união Indo-Ásia, civis asiáticos tentam fugir para território Europeu aos milhões. Sou uma máquina de guerra que precisa do seu comandante humano, sem ele, sem ordens a seguir a minha existência não tem sentido.

A minha comandante é a Lituana Nina Fiodorova, ela de certa forma alterou a minha programação. Ela reprogramou-me para diferenciar humanos adultos de crianças. A minha nova missão é não exterminar os segundos. O meu cérebro é electrónico mas com capacidade de recolher novas informações e agir consoante a minha análise lógica. As informações da minha comandante faziam todo o sentido, até aos acontecimentos que tenho registados à data que fui desligado.

Tanques Indo-Asiáticos aproximavam-se da fronteira, sobre eles estavam sentadas dezenas desses humanos crianças, o meu sistema entrou em conflito entre exterminar a ameaça que avançava e não atingir esses humanos. A análise lógica foi não disparar. Suportei 8 impactos, ao nono fiquei offline.

A minha escotilha abre. Vejo algo num bunker à minha frente camuflado numa colina. A vegetação afasta-se para deixar um longo tubo metálico passar. Dele, algo que reconheço ser uma cápsula de lançamento voa na minha direcção. Controlo a sua trajectória criando um campo electromagnético. Mesmo sabendo que a minha armadura é de cybercrómio, não tenho ilusões dos danos que me causaria se a cápsula falhasse a escotilha e atingisse a minha armadura.

Eu tenho uma escotilha inferior, eu tenho escadas de acesso a ela, a cápsula de lançamento é para ser usada em casos extremos de radiação, de modo a salvaguardar a vida humana dentro dela.

Eu sou Cerilis. Não questiono nem confronto o meu comandante ou as directivas dos seus superiores.

Desta cápsula sai não a Nina Fiodorova pois de acordo com os meus dados eu estive desligado durante 648 anos e a vida dela há muito que expirou, mas sim um desses humanos criança. Activa o meu sistema de comando e apresenta-se como Aisuke Hiromi meu novo comandante. A idade, o aspecto, a linguagem que reconheço é não de um comandante das unidades Eurobot mas sim do inimigo. Manualmente este intruso insere dados no meu computador central. No ecrã aparece um asiático de bigode ao qual Aisuke baixa o olhar em respeito.

“O exercito de libertação não resistirá aos ataques da federação, tu és a nossa última esperança ”, afirma a cara no ecrã.

“Não o desapontarei professor”, responde o meu intruso.

O meu sistema assume a programação inserida manualmente. De uma unidade exterior recebo um upload de armas, máquinas, símbolos, estratégias, novas ordens.

Eu sou Cerilis, Eurobot XI, unidade 3009 da brigada de leste.

Eu não sou Cerilis, Eurobot XI, unidade 3009 da brigada de leste.

O conflito no meu sistema paralisa-me. O meu computador central e o meu banco de memória são dois sistemas distintos, onde a reprogramação do primeiro exige uma análise lógica do meu banco de memória e tudo nele é contraditório. Detecto diversos sistemas de armamento que desconheço ligados a mim a serem activados e lentamente a serem reconhecidos pelo meu computador central. Os meus reactores parecem-me ter sido substituídos com uma tecnologia que desconheço. A minha armadura está reforçada por um campo de forças electromagnético que não faz parte do meu sistema.

O meu computador afirma “programação concluída”, Aisuke grita: “as Zikons estão a escapar”. Automaticamente identifico o que é uma Zikon devido à alteração na minha programação e disparo dois misseis MrxIII em direcção a esses objectos voadores. Os meus misseis embatem nos escudos das Zikons não causando qualquer dano. Como? Nenhuma máquina humana resiste a estes misseis. Mudo automaticamente para os meus seis canhões Trakon com misseis de fusão.

O inimigo cai em chamas.

Estou em conflito de programação.

Na queda noto o símbolo do inimigo as letras FEA (Federação Euro-Americana) dentro de um logótipo que representa um olho, é o símbolo dos meus construtores, da Federação por quem fui construído e programado para defender. Sei disso, mas a minha análise lógica é um sistema externo à minha programação central e essa foi alterada para os ver como inimigos.

Ao longe vejo máquinas de guerra, centenas delas. Parecem-me Eurobots mas não o são. A minha análise à sua constituição mostra materiais que não conheço, armas que não possuo no meu banco de dados e 3.000 toneladas a mais do que eu.

Eu fui Cerilis, Eurobot XI, unidade 3009 da brigada de leste. A lógica diz-me que estou obsoleto, mas a energia que corre no meu sistema dá-me a ilusão do contrário.

Lanço uma bateria de misseis que não faz parte da minha linha de fabrico e não sei porque a lancei, atinjo diversos Eurobots que me parecem ficar offline. Detecto 18 morteiros plasma na minha direcção e automaticamente lanço 40 pods que atraem esses misseis.

Aisuke grita,”relatório de danos”. O meu computador central responde “integridade intacta” e Aisuke ri.

Observo a retirada da forças Federativas. Aisuke coloca-me em vigia automática.

A Federação é o meu novo inimigo. Eu sou uma máquina de guerra programada para defender o ser humano e atacar o ser humano. Uma contradição que é explicada na minha programação pela forma de cores, símbolos, bandeiras, estandartes, línguas e raças dentro da raça.

648 anos após ter ficado offline. 459 anos após a minha activação, o ser humano continua em guerra com ele mesmo em nome de ideologias de homens que esgotaram o seu tempo terreno e tudo por um palmo de terra.

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6 Devaneios

Um robot quase humano.

Gostei de ler, gostei da mistura, pois parece uma mistura de robótica com algo de uma consciência que nem os humanos têm. Gostei mesmo.

3 de junho de 2009 às 12:47

Qualquer entidade com inteligência virtual será capaz de raciocínios e conclusões humanas por usar da lógica, nós conseguimos ser mais abstractos porque somo ilógico e complicamos tudo.

3 de junho de 2009 às 15:21

Gostei.

Tive pena de Cerilis.

Fico triste com a possibilidade de haver mais não sei quantos anos de guerras. De haver evolução tecnológica e nada mais, sem evolução espiritual e emocional.

Fico triste com a existência de pessoas menos humanas que Cerilis.

Gostei.

Acho que andava com saudades de ler FC.

Beijitos

3 de junho de 2009 às 21:09

"Qualquer entidade com inteligência virtual será capaz de raciocínios e conclusões humanas por usar da lógica, nós conseguimos ser mais abstractos porque somo ilógico e complicamos tudo."

Este teu robot mostra uma consciência moral, na última frase do texto.

Nós somos os únicos seres na terra capazes de criar uma consciência moral. Apesar de muita gente não lhe dar uso.

3 de junho de 2009 às 22:29

Muito interessante, esse símbolo da Federação :D.

Bolas, ainda dei comigo a pensar, quase 500 anos e o raio da guerra ainda não estava acabada?...

Só nao percebi essas uniões/federações.

16 de junho de 2009 às 21:15

Gostei do conto. Gosto de FC! :D já leste onix e crex? ;-)

16 de junho de 2009 às 21:15

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