Carta de adeus  

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“Meu amor:

Acho que o meu coração perdeu o direito de te chamar assim. Meu nunca foste (ninguém é de ninguém), e amor não posso mais albergar neste meu peito, porque não se pode amar eternamente quem não nos ama.

Sei que vais gritar aos quatro ventos o tanto que me amavas, proclamar a tua inocência, a tua virtude para quem te quiser ouvir… e não tenho dúvidas de que terás uma audiência plena, cheia daquela gente que te adula os sentidos, de quem tanto precisas e que tanto desprezei. Serão os chacais que te ajudarão a despedaçar os pedaços da minha memória… por isso desejo que se deleitem, muito. Que a minha alma, essa, está a salvo dos ataques dos seus dentes famintos, e das tuas palavras acres.

Não consigo, não consigo caminhar mais a teu lado. Porque não caminho direita, e sim encurvada com o peso daquilo que querias, e que não sou. Não concebo como amor o que me devotas (ou devotavas, já nem sei), quando não me faz brilhar o olhar sentindo-me especial, quando não me faz aquecer o peito sabendo-me única.

As tuas críticas constantes, incompreensões repetidas e esse teu jeito de viver no pódio são simplesmente demais para alguém que só pretende o seu canto para descansar e se sentir em casa. E não, bolas, não basta dizer-se que se ama que o Mundo avança, não, porque o Amor é muito mais do que aquilo que vale para ti, o Amor é ter a capacidade de mostrar ao Outro o quão especial é. E, para ti, sempre fui alguém que muito tem a provar e muito tem a mudar. Se existisse uma lei que, para além dos maus tratos físicos e verbais, proibisse os maus tratos à alma eu estaria a aplicá-la na sua mais perfeita essência... porque até agora o meu ego apenas se alimentou à custa do tão pequena que fui, a teus olhos. E basta!

Vou-te deixar. E vou ao mesmo tempo deixar aquilo em que, durante algum tempo, acreditei.

Peço-te que me deixes ir. Apenas isso."

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4 Devaneios

Minha querida e adorada sobrinha!
Mereces ser (bem) amada. E não apenas ter ao lado alguém que não faz a mínima idéia do que é o amor a não ser por ele próprio.
Estou contigo, meu bem!
Beijos,
Vocas

14 de junho de 2010 às 15:10

Maus tratos da alma...
Bem piores que os fisicos,ou verbais. Muito mais destrutivos.
à força de tanto tentarem mudar o que somos, quase que acreditamos que se calhar seremos melhores se mudarmos, mesmo que o preço seja demasiado elevado.
é estranho ler o que escreveste e pensar que esta carta de adeus podia ter sido escrita por mim.
:)

14 de junho de 2010 às 19:07

Obrigada pelos comentários.

Como muitos textos que escrevo, esta carta é uma hipérbole duma situação... porque pequenos pedaços de vida muitas vezes nos inspiram uma escrita mais elaborada, exagerada, mais... poética :)

17 de junho de 2010 às 10:01

Não peças que te deixem ir.
Vai, simplesmente, na tua liberdade de seres quem és.
Mesmo ferida, mesmo magoada, ninguém te abafa a tua essência.

Vai... :)


(Sim, eu sei que não és tu, mas poderias ser tu, ou eu, ou a Maya, ou qualquer pessoa que já um dia foi magoada onde dói mais...)

Beijitos :)

27 de junho de 2010 às 01:11

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