Como sei, perguntas-me tu?
São os teus olhos que falam comigo e me contam de Mundos partilhados, de viagens fantásticas, de vidas trazidas, em memórias, ao presente, que me acariciam a pele sem me tocar.
São as tuas palavras embalando-me a alma, cantando-me trovas sem o saberes, nutrindo-me o coração, afagando-me o corpo, calando-me, aos poucos, o medo.
É o cheiro da tua pele na minha, um chegar a casa com o corpo cansado e a precisar de mimos, um aroma a pertença, a partilha, a doçura.
É o teu abraço forte que me protege e ampara, o ninho que crias para que nele me aconchegue e ressurja, equilibrada e forte.
É o beijo da tua boca vermelha na minha, promessa de brisa que sossega a tempestade revolta do mar, que acalma o chocalhar disperso das pulseiras de cigana que me adornam os braços, que me faz querer ficar ali, suspensa no tempo, no espaço, sem peso, sem saber, sem pensar.
São os segredos partilhados, as cumplicidades tão reconhecidas, o ser um e ser dois e crescer mais e querer mais, as descobertas de todos os dias, o sabor a mar nos lábios, e a terra para fincar os pés, e o fogo no peito, e o ar para espraiar as asas.
Como sei?
Não sei.
Mas quando penso em ti, recordo-me de tudo isto.
Fui eu que sonhei, ou aconteceu?
As memórias escapam-se-me por entre as sinopses gastas do meu coração cansado das milhas áridas que já percorreu.
Talvez tenha sido apenas um momento fabricado com cuidado pelo meu desejo. Talvez tenha sido o meu leve querer, um misto de gosto/desgosto que por algum motivo te elegeu de entre um milhar de rostos, corpos e almas.
Ou talvez tenha sido a palpitante realidade, um universo que me abriu a porta timidamente, mostrando-me um caminho que podia ter percorrido. Mas o medo apanhou-me à traição... por isso nunca o saberei.
Uns segundos.
Foi o tempo em que o teu olhar se alambazou no meu.
O tempo em que a tua mão se estendeu ávida para a minha, enquanto me deixavas naquele cais de embarque, na despedida.
O tempo em que me estendeste um beijo destinado aos meus lábios... o beijo a que eu cobardemente fugi.
O tempo que não dá meia volta, e se perdeu.
Fui eu que sonhei, ou aconteceu?
Como sei, perguntas-me tu?
São os teus olhos que falam comigo e me contam de Mundos partilhados, de viagens fantásticas, de vidas trazidas, em memórias, ao presente, que me acariciam a pele sem me tocar.
São as tuas palavras embalando-me a alma, cantando-me trovas sem o saberes, nutrindo-me o coração, afagando-me o corpo, calando-me, aos poucos, o medo.
É o cheiro da tua pele na minha, um chegar a casa com o corpo cansado e a precisar de mimos, um aroma a pertença, a partilha, a doçura.
É o teu abraço forte que me protege e ampara, o ninho que crias para que nele me aconchegue e ressurja, equilibrada e forte.
É o beijo da tua boca vermelha na minha, promessa de brisa que sossega a tempestade revolta do mar, que acalma o chocalhar disperso das pulseiras de cigana que me adornam os braços, que me faz querer ficar ali, suspensa no tempo, no espaço, sem peso, sem saber, sem pensar.
São os segredos partilhados, as cumplicidades tão reconhecidas, o ser um e ser dois e crescer mais e querer mais, as descobertas de todos os dias, o sabor a mar nos lábios, e a terra para fincar os pés, e o fogo no peito, e o ar para espraiar as asas.
Como sei?
Não sei.
Mas quando penso em ti, recordo-me de tudo isto.
Estreias a minha pele na tua, com avidez.
Estreias-me no mover das ancas, no par e passo sem trajecto, sem partitura que nos recorde de onde estamos, para onde vamos.
Estreio-te no coração, às colheradas, o sabor a mel com a pitada picante do medo, fogo-fátuo que me borda a alma da tua luz. Assim, encadeada, abraçando-te. Como se temesse que fosses feito de espuma e, num abrir das portadas da janela, saísses de encontro às nuvens...
Estreias-me nos teus sonhos, devagarinho, sem dares conta, sou como o aroma da tua pele que já se não desprende de ti.
Estreias a tua voz no meu pescoço e os teus dedos no meu cabelo. Queimas-me até às entranhas, sem dares conta.
Estreias-me nesse teu mundo de corações e letras desenhadas no tejadilho, cantas-me e encantas-me, de mansinho. E dizes-me impunemente que me queres, com a boca cheia de "amo-te" vorazes que me formigam nas pernas que não me obedecem.
Estreias-te nos meus sentidos despertos, invades-me os espaços vazios, preenches-me o corpo com o teu calor e a tua boca vermelha e doce.
E eu estreio-me nessa tua casa desarrumada, nesse teu coração imenso, aninho-me no canto do quarto e deixo-me embalar nessa tua dança leve, vens-me buscar pela mão e sussurras-me os passos correctos, ensinas-me a bailar-te e eu ensino-te a amar-te e seguimos assim, seguros um no outro, esvoaçando...
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