A
não amar. demasiado óbvio. adeus. alegria. é banal. angústia. é por aqui, se faz favor. aconchegar. pela última vez. abraçar. sentir o cheiro. adormecer. para sonhar com o dia. acordar. para voltar a dormir. sono eterno.
B
que merda é esta?! baixar defesas. conhecer o canto. beber. tenho sede de não estar aqui. barulho. demais. calem-se por favor. aBatimento. eu não consigo mais.
A
outra vez. não ser amado. dolorosamente banal. chorAr. baixinho .alterar. rotina. acordar. não querer. adormecer. sono eterno. again.
N
nada. vazio. lembrança. nenhuma. eco.
D
o pior. dor. todos os dias. dor de ausência. dor de saudades. dor dos gritos alheios. sofrimento. dor. dor como agulhas na carne.
O
oportunidade. escapar. aventura. medo. odores. meus. alheios. iguais.
N
o mesmo. igual. nada. nada. nada. nada. vazio. eco. não gravidade no ser. eco. vazio. nada. nada. nada.
A
amor. não acredito. amor. não sinto. anestesia. morrer. por dentro. finalmente. abandono.
R
recuar. não nascer. não sentir. não sofrer.
Geme o raio de sol
que invade pelas frestas nuas
meu corpo ausente de mim.
Geme o silêncio
entrecortado por chilreios
que me debicam a alvorada.
Geme o ninho
sedoso no restolhar macio
tranquilo da minha pele.
Geme tua mão
pela suavidade sinuosa
das minhas colinas.
Geme teu olhar
enquanto me desvenda
faminto sedento de mim.
Geme teu respirar
aragem fresca da manhã
no meu ventre quente.
Geme tua boca
que me aguarda o acordar
para o início do fim.
Deixo que a mão escove suavemente a face de uma folha verde e húmida. Percorro descalço estes bosques há mais luas cheias do que me consigo lembrar. Envelheço como as árvores em crescendo na direcção do Sol e permito que os meus cabelos se entrelacem como troncos finos que se afastam do meu corpo ao sabor do vento que me visita como um amigo de todos os tempos, os bons e os maus e aqueles que passaram sem voltar.
Nunca olho para trás no sentido contrário ao que sei ser o caminho. Não sei se as marcas que abandono no chão são visíveis para quem me possa um dia seguir nem quero que me sigam na ideia que possa saber para onde vou ou que os possa conduzir a outro lado que seja melhor ou pior. Não quero ser pastor nem parte do rebanho. Sou aquele por que se espera e pelo qual se desespera, a ínfima parte do infinito na ignorância de algo saber e nada significar.
Rastejo enquanto corro e nado sem asas por isso não me posso afogar no mel ou no fel que se destila de uma gota do meu orvalho, aquele que me escorre do vitral dos olhos. Lamento o destino dos que não vão lá chegar e o destino daqueles que já chegaram no fim do caminho sem ter sentido a suavidade da erva ou a agrura da pedra. Pior do que não ter esperança é esperançar o que não se pode nem faz sentido ter.
Romanceio a minha forma de ver a vida numa comédia trágica de enganos e trocadilhos. Falta-me ainda despir o preconceito da escolha para poder abraçar a doutrina do arbítrio. Saberás tu que me olhas sem perceber quem sou que sou apenas o que vês sem mais nem porém e que o fascínio da minha causalidade não te deve ser causa nem devoção? Saberás tu que o que me ainda me sobra não te deve ser a ambição do que te resta?
Gosto desta noite que me orvalha…
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