Já alguma vez...  

Posted by Jane Doe in

Já alguma vez ouviste o frio? Não o sibilar do vento. Nem sequer o som de pisar a neve, quando a há. Mas sim o som do próprio frio. Não há vento, não há barulho. Só o frio?

Já alguma vez ouviste o Natal? Não os barulhos do trânsito na cidade. Não os sinos a tocarem nem as canções que se ouvem na rua e nas lojas. Nem mesmo o riso das crianças quando abrem os presentes. Mas o Natal?

Já estiveste sozinho, sentado, a ouvir o silêncio, pacientemente, sem deixar que a tua mente corresse para as obrigações que o Natal traz?

Se já o fizeste, provavelmente sentiste o pulsar da Humanidade a bater no teu coração.

Se calhar sentiste uma torrente de Amor por todos os teus Irmãos e Irmãs. Uma suave sensação de Unidade com todas as criaturas.

No silêncio de uma noite fria, sustem a respiração e escuta intensamente. E talvez ouças o frio.

Sereno, sozinho, concentrado, ouve o silêncio no teu coração. E talvez ouças o Natal.

Por: Syzygia

Passatempo de Natal - Prisão de Palavras.  

Posted by Jane Doe in

Entre o dia 18 e o dia 28 de Dezembro iremos publicar 6 textos do nosso passatempo de Natal, que nos foram enviados por leitores deste blogue.

Gostaríamos de agradecer a todos os que participaram nesta experiência, que iremos repetir em breve. O primeiro desses textos poderá ser lido de seguida.

Alegoria para um Natal.  

Posted by Jane Doe in


Limalhas de frio acomodadas sobre os carros como lágrimas de vidros embaciados de silêncios e de esperanças desfeitas em papéis de embrulho que revelam fumos de amor escapando de tubos solitários envolvidos em rumores negros de pombos congelados nos beirais que suportam também andorinhas que também congeladas observam os pombos que em silêncio me observam observando-os sob um luar aluado de amores que se escondem na neblina e se envolvem na certeza de que amanhã tudo será diferente para melhor. Porque no fundo andamos todos à espera do degelo.

Por: Rita Bastos




Advento  

Posted by mf in

Vem, meu Amor,
que a noite hoje
é de neve invernal
cristalina
gelada
mas por dentro há fogo
quente
crepitante.

Vem, meu Amor,
que a noite hoje
é de destino incerto
expectante
silencioso
mas por dentro há riso
festa
esperança.

Vem, meu Amor,
que a noite hoje
ainda é singular
solitária
desértica
mas por dentro há Nós
uno
eterno.

Vem, meu Amor, vem.
Repousemos descansados
no colo que é nosso
olhemos a estrela-guia
que nos marca o norte
murmuremos os nossos nomes
em doce embalo
Tu-Eu
Eu-Tu
enquanto a noite o destino
transforma em felicidade.

Deixa que neve  

Posted by I.D.Pena

Corro , fujo , procuro , e não encontro,
Ou o que encontro não me serve ,
Às vezes páro , e oiço em mim uma voz que geme ,
Diz que não adianta ,  algo atravessa-me em mim,
Não é rancor ou raiva , mas sim revolta.
Revolta essa que me força a viver.
Aqueço mas não rebento.
Borbulho de revolta por aquela voz,
Pelo o desencorajamento que oiço dentro de mim ,
Porque não há consciência, é tudo mentira.
Mas não me desencoraja pelo contrário determina-me .
Amo viver e grito recorrendo a todas as minhas forças interiores.
O eco arrepia-me , algo treme, (possivelmente eu),
Mas tudo parece impávido e sereno
Naquele manto branco de neve ...
Continuo à procura do meu abrigo, para estar perto de ti,
As pégadas relembram-me do peso do que é estar viva, tenho que voltar,
Tenho que voltar, digo a mim mesma repetidamente,
Enganando-me talvez, mas quem sabe?  É  a favor da vida.
Sei que estou a quebrar recordes pessoais,
Mas não limites, nah, limites não tenho!
E continuo... O horizonte abre-se , assim como meus olhos.

A paisagem está mais linda que nunca,
Pura e demente, quase confortável...
Ergo-me. E Constato:
Não sei se estou a chegar se a descobrir,
Ah mas sei  que vale a pena ...




Brincadeiras verbais  

Posted by LBJ in


Até que idade se pode brincar com as palavras? Jogá-las ao ar como instrumentos de malabarista e deixá-las cair em invento de novas formas e significados. Pego nas palavras que me ocorrem, naquelas que sem mais razões me surgem de repente na cabeça e não sei porquê são palavras de raiva, não sei porquê ou talvez porque a música que me inspira é vigorosa em acordes e as palavras me fluem duras e ásperas e não sei bem o que fazer com elas porque o Natal se aproxima e não é uma época para usar palavras de raiva, devia procurar palavras poéticas, mudar o tom da música que ouço e mergulhar na inspiração de palavras de harmonia e de redenção e generosidade, mas o Natal não me inspira poesias mas hipocrisias e outras heresias e eu gosto de brincar com palavras.

Hoje estou aqui para brincar com palavras e arrumo a raiva e a falta de poesia numa frase vazia sem sentido nem contra senso e avanço com um jogo de palavras que confesso me é fácil jogar, tenho jeito para brincar com palavras, é para mim uma habilidade natural, não será com certeza um talento mas uma simples habilidade a de encaixar palavras, estou mais próximo de um pantomineiro de palavras do que um cantor de palavras e assumo a pele de um palhaço triste que pega em letras e compõe frases que não se tornarão obras de arte mas quando muito jingles de ficar no ouvido.

Eu hoje estou aqui e nada mais consigo fazer com elas do que brincar com as palavras e ensaio um arranjo verbal que possa ainda usar nesta época de Natal, monto acentos em bolas de letras e em fitas alternadas de muitas cores adjectivadas mas não consigo escamotear da cabeça algumas das palavras que me vão azedar os próximos dias, nas ruas há muitas luzes e brilhos e tudo me contradiz a não dever incorporar alegria nas frases que componho enquanto brinco com as palavras mas eu sou um trambiqueiro de palavras, limitado pela ausência, pela dor, pela falta, pela mudança que trás mas também tira e porque quando as faço rodopiar no ar sempre deixo cair algumas palavras em sentido ou no sentir.

Gosto de brincar com as palavras mas sei compreender o poeta que fingia e eu finjo com as palavras, finjo realidades e fingimentos nas entradas sem saída, finjo brincar com as palavras enquanto me escondo por dentro delas…