No frio estendes a mão
e atrais-me a ti
enquanto os olhares se cruzam,
áscuas candentes
em grito mudo de anseio.
Tudo é lento, tudo é paz
de início de brasido
que pressentes quente
na lareira do meu corpo.
Em minha pele acendalha
tua língua começa a lavrar
acendendo rastilho ardente.
Sobes em fogo vivo,
teus dedos tição em brasa
ateando a acha do meu corpo.
Sentes-me a dureza do lenho,
em pira disposto
à espera da incandescência.
Há fogo em torvelinho
enquanto as bocas se incendeiam
e deslizo abrasado e febril
por teu campo em labaredas.
Rasgo-te em delírio de incêndio
rugindo em cada crepitar,
duas línguas de fogo
faíscam na noite em fúria
e consomem-se em calor de fornalha.
Aqui ficam mais dois meios textos que se encontram a meio, apenas por uma palavra. Eu escrevi a primeira parte do texto (vermelho tinto) e passei à Ipsis Verbis a palavra Silicone (cinzento). A partir dela, ela fez a segunda parte (verde garrafa).
Gosto de ti porra!
Desde daquele dia em que te vi, esparrameirada no passeio, pois tinhas tropeçado num calhau. Fiquei apanhado do clima por ti. Observei o teu cu enquanto te compunhas e rapidamente te afastavas ainda manca, não sei se do tralho ou se partiste um tacão. Ca ganda cu. Ganda não do tamanho mas da qualidade. Imaginei-me a espancá-lo enquanto que dava umas cabeçadas com o meu Zé Tólas. Se isto não é amor, então não sei o que é!
Dizem-me que não sou romântico, só porque não ofereço ramos de urtigas ou lá o que elas gostam. Claro que sou romântico, acho que é romântico dizer a uma gaja que ela me dá câimbras
silicone
Mas o que é que este gajo quer que eu escreva a partir desta palavra?! A verdade é que fiz logo uma busca pelo Google e mesmo assim não tive nenhuma epifania ou inspiração, mas descobri o nome do químico inglês que foi pioneiro no estudo dos compostos orgânicos da sílica (ou dióxido de silício) e que inventou a silicone, usada para inúmeros fins que não só os da cirurgia estética ou reconstrutiva.
E já não tinha uma aula de química há muito tempo. E desculpem se me atrasei a escrever este cadáver esquisito. A verdade é que, entusiasmada com a matéria, (e isto de ser-se autodidacta com internet dá-nos demasiada liberdade) dei por mim a ver minerais, imaginem! O quartzo, por exemplo, é o mineral mais abundante da terra, é composto por tetraedros de sílica que formam um prisma. Por outro lado, o espodúmena, (que nome lindo) é mais raro e é a principal fonte do Lítio e este último (vou já acabar, ok?), para além de ser usado nas baterias eléctricas, é considerado como anti-psicótico e serve como tratamento para o transtorno bipolar.

Joel tinha 32 anos e decidira morrer.
Estava farto de se desiludir, estava farto de lutar e de acreditar , estava farto.
Hoje não só estava farto mas como estava realmente determinado a acabar com a sua própria vida.
Todas elas diziam algo, mas como que por magia não se ouvia nada.
No outro extremo da ponte quando finalmente chegara, reparou que estava uma pessoa com um guarda chuva , mas que se dirigia para o lado oposto ao dele, não o preocupou nem um bocadinho e continuou o seu plano.
Como se precisasse de mais...
Esvaziou os bolsos das calças sentiu-se a perder peso, pegou no telemóvel que miraculosamente ou por acaso, tocava, não viu quem era, e mandou com o máximo de força para o imenso rio que seria agora a sua nova casa.
- Por amor de Deus, não faça isso !
E com um esgar de felicidade, mergulhou rumo ao infinito sem dor.
Foi numa noite como outra noite qualquer que esta vida se apagou .
Tenho na minha frente um teclado cheio de letras que olho de forma vazia. Uma vez mais o tempo que não consigo organizar, a vida que não consigo organizar levam-me a olhar o teclado e desafiá-lo para uma corrida contra um relógio que teima em não parar. Coloco os dedos sobre as teclas como se houvesse uma força interior que os vai animar e começar a escrever palavras num ecrã que ainda está em branco. A primeira palavra sai sem ter conhecimento da segunda e a terceira já se encaixa na quarta e a quinta dá significado à sexta e a sétima e a oitava e começo a escrever sobre alguém com que me confundo e que olha um relógio que muda a cada segundo, alguém que acordou de uma noite mal dormida ou de uma vida mal passada e que tem que escrever palavras nesta página que abandona o branco, palavras que tem que ser semeadas por ordem para poderem florescer em significado, palavras que tem que ser orientadas para serem lidas no encaminhar de sentimentos na direcção de uma ideia, palavras que escolho com preconceitos e sem preceitos.
Hoje sinto-me apenas um semeador de palavras com um compromisso de colheita e não sei se isso me agrada. Apetecia-me contar uma história que ainda não foi contada mas que não consigo encontrar no sufoco do relógio. Apetecia-me falar de diferentes sentires ou coisas novas mas confronto cada ideia com apenas outro mas. Não gosto do compromisso do relógio mas sei que a vida é mesmo assim, há sempre um relógio e sei que este é generoso e que me deu tempo para ter tempo de não ser agora apenas um semeador de palavras.
Abandono tudo e começo a escrever sobre alguém que não quero ser eu e que tem a ambição de ser escritor e que de repente se viu confrontado com um prazo para escrever algo e que não sabe o quê mas sabe porquê. Imagino-me como personagem desta história e pergunto-me a mim mesmo se me agradaria ler uma história em que eu fosse personagem e pergunto-me a mim mesmo se um escritor consegue criar histórias em que não seja ele próprio o personagem, mesmo que representado sobre outras formas e géneros e idades e envolvido em cenários que nunca viu mas que certamente imaginou. De repente cresce-me um sentimento de abandono porque eu realmente não me agradaria ler uma história em que eu fosse o personagem e se todos os personagens que consiga criar são apenas outras formas ou outros géneros e idades de mim mesmo então estou a perder o meu tempo ou mais grave estou desesperado com o passar de um tempo sem sentido.
Desisto e escrevo sobre flores e depois sobre o vento que não sopra porque está calor e sobre uma caixa de cartão sem nada escrito que foi deixada na porta de um prédio e que constitui um mistério para quem passa e a olha e se sente tentado a abri-la e escrevo tudo isto para tentar fugir de um personagem que não quero ser porque não percebo muito de flores e sei que mesmo quando está calor o vento ainda sopra e que na caixa não há nada porque fui eu que lá a deixei ou teria sido um personagem que imaginei que lá a deixou sem qualquer intenção de que constituísse um mistério para quem passasse e porque mesmo quem passasse na minha história seria um personagem com pouca relevância ou muito secundário mas ainda uma variante de mim mesmo e começo a perder-me no texto que escrevo e a achar que não farei sentido para quem o ler mas o relógio não parou e este personagem que imaginei como escritor ainda tem um compromisso de escrever um texto e resiste a apagar tudo e continua a escrever sobre rodas que rodam sobre rodas e de que quando nos olhamos num espelho o que vemos é apenas um capricho de luz que se reflecte e que acreditamos ser a nossa imagem e se calhar somos também nós personagens de uma história e eu sinto sempre uma enorme atracção para espreitar a ultima página ou a ultima palavra e que uma vez mais não deixa de ser o fim.
A cara dela estava lavada em lágrimas serenas e eu chorava por dentro como o animal que sou, ao vê-la. Eu queria que ela soubesse que estou ali e que estarei sempre ali, a seu lado, protegendo-a do mundo cruel que ela conheceu através de mim. Ela ao saber quem sou, o que sou, tornou-se num alvo e o meu amor obriga-me a protegê-la por toda a sua vida, pois eu tenho tempo, tenho todo o tempo do mundo.
Não há cruz que me assuste. Não há água benta que me queime. Não há alho que me afaste. Não há sol de que me esconda. Não há caixão onde durma. Não durmo. Não me canso. Não como. Não bebo. Só o frenezim.
Ela queria ficar comigo para sempre, e eu com ela. Só que ela não sabe que para sempre é tempo demais, não é tempo demais para amar mas sim para viver, se é que isto se pode chamar vida.
O cheiro do corpo dela enche-me, domina-me, turva-me o pensamento e o julgamento, o frenezim contraí todos os meus músculos sinto o sangue a correr de forma alucinada nas minhas veias e sinto, vejo o sangue dela morno, doce, irresistível, enquanto meu ferve. O frenezim toma conta de mim. Grito por dentro por longos instantes enquanto lembro os momentos felizes que passámos juntos, quando eu era só um homem e ela a minha mulher. Quando eu a seu lado me desliguei do monstro e me senti humano. Quando eu me senti pela primeira vez leve, livre e aquele sentimento a que chamam felicidade. Sim, senti isso.
Aproximo-me dela lentamente na escuridão quebrada pelo seu candeeiro de leitura. Gandir deitado a seus pés levanta a cabeça sem me denunciar, reconhecendo-me.
Sem se levantar, sem olhar para trás, ela diz “toma-me, sou tua”, num impulso irreflectido pego-a, sugo-a, sinto-me a pairar drogado pela doçura do seu sabor, extasiado pela satisfação do desejo e o saciar do frenezim. Deu para ouvir seu último suspiro, deu para sentir a última batida do seu coração. Senti o arrepiante gelar da sua pele. Pela primeira vez, na minha maldição a que chamam vida, chorei, chorei por ter cedido ao animal em mim e ter privado quem eu mais amava de viver.
Olho-a jazida no chão. Pálida. Mordo o meu lábio até sangrar e beijo-a. Sento-me e com “Basiliüs” na mão e inicio a escrita de uma nova página, a nossa página, enquanto espero pelo renascer da minha amada. Agora na maldição depois da morte, nada nos pode separar a não ser...
O frenezim...
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