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Mulher de Azul  

Posted by Bruno Fehr in

E quando não sabemos o que vemos? Se é que vemos!

O meu nome é Santiago. A minha vida corria bem. até "ela" ter aparecido. Corria tudo tão bem, que me dei ao luxo de largar o meu bem remunerado emprego e iniciar um trabalho por conta própria. A minha primeira empresa cresceu e vendi-a antes do mercado ficar saturado de concorrência. Abri a segunda e fiz o mesmo, esta segunda faliu 4 meses após a ter vendido. Fazia investimentos seguros e lucrativos, até ao dia em que apostei tudo no cavalo errado, inexplicavelmente perdi. Investi tudo o que tinha num novo projecto que faliu. Na mesma altura estive envolvido em 4 acidentes de automóvel, com a destruição total de dois carros e mais 2 acidentes menores. Fiquei na estaca zero, só com o meu carro acabado de comprar e ainda não pago e a minha casa, mas sem fontes de rendimento. Tudo passou a correr mal, a cada passo cometia um erro.
Foi nesta fase que tudo acabou com a minha namorada. Por mais que tentasse tudo falhava. Recebia mensagens de alguém que parecia saber da minha vida mais do que eu. Parecia que todas as portas se estavam a fechar e o mundo a desabar.

Dias antes desta minha fase ter começado, tive um sonho, com "ela":

Acordo em sobressalto, levanto-me e vou à casa de banho urinar. Enquanto urino, olho para trás e vejo um vulto azul com formas femininas, que flutua rapidamente na minha direcção. Antes de ela chegar a mim, acordo novamente e após acordar, acordo realmente. Ou seja eu acordei num sonho continuando a sonhar, tendo acordado ainda sonhando, até que acordei. Este sonho perturbou-me.

Após ter reconhecido a minha derrota financeira e sentimental, os sonhos pioraram.

Ao adormecer, acordava dentro dos meus sonhos e não me conseguia mexer, estava gelado, não mexia mãos, pés, nem conseguia falar. Nada. Lutava para recuperar controlo do meu corpo. Estes sonhos repetiram-se até eu aprender a forçar o meu acordar. Lembro-me de quando sonhava isto, pensar "acorda, acorda, acorda", enquanto forçava os movimentos. Assim que algo no meu corpo se mexe, acordo. Aprendi assim a sair dos sonhos, a fugir deles. Ainda hoje consigo forçar o meu acordar, consigo interromper os sonhos que não me agradam, acordando consciente de que fui eu que decidi acordar.

Certo dia, algo mudou. Acordei dentro do meu sonho, deitado onde adormeci, com o mesmo vulto azul em cima de mim a estrangular-me. Era a mesma forma feminina, com longos cabelos ondulados que ria histericamente. Não lhe via a cara era um fosso negro, nem conheço ninguém com um cabelo assim. Parecia ser uma mulher na casa dos 40.
Lutava por me mexer, enquanto me sentia sufocado, não conseguia falar, com esforço pronunciei uma palavra, "não", ela largou-me e eu acordei.

Perturbado, contei ao meu pai, que é uma pessoa que diz, "eu não acredito em bruxas mas que as há, há". A minha avó soube através do meu pai, ela é ainda daquelas que acredita em maus-olhados e bruxedos. Fez-me um teste antigo, de identificação de mau-olhado. O teste consistia no seguinte; encher uma malga se sopa com água e deitar-se um pouco de azeite. O Azeite, não se dissolve em água e tem tendência a juntar-se num só ponto e isso segundo ela, significa que está tudo bem. Quando o azeite se junta em vários pontos (inúmeras bolinhas), isto significa que há mau-olhado e resolver-se-ia com umas rezas antigas que ela conhece.
Eu não acreditava em nada disso, mas já que a fazia sentir-se melhor, deixei-a fazer o teste na minha presença. Os resultados foram fascinantes, o azeite em contacto com a água não se juntou, nem se separou, simplesmente desapareceu. A minha avó entrou em pânico, com o nível de mau olhado que aquilo significava. Eu fiquei incrédulo, pois o azeite não se dissolve em água.

Durante uma semana mal dormi, não queria adormecer tal como a actriz no filme "Pesadelo em Helm Street", durante essa semana a minha avó fez o mesmo teste acompanhado de rezas religiosas, até que um dia, o azeite se juntou e deu normal.
O meu pai perguntou-me se tinha voltado a ter esses episódios e eu respondi a verdade, que não. Ele disse-me, tudo isso foi resolvido. Achei melhor não perguntar como, pois sei que não iria gostar da resposta.

Na noite anterior à minha partida e quase um mês sem esses episódios, esse vulto negro e o meu congelamento do corpo voltou. Desta vez senti dor, como se o meu coração estivesse a ser arrancado do meu corpo, uma dor indescritível. Aí fiquei com a certeza que não era um sonho, acredito ainda hoje que não estava a dormir, estava sim naquela fronteira entre o consciente e o sono.
Tentei racionalizar, que os episódios paranormais são truques da mente. Eu andava, preocupado, nervoso, stressado e cansado, pois dormia pouco. Para mim essa era a explicação.
O que é certo é que passados 4 anos do meu afastamento daquela cidade e apesar de ter fazes mais stressantes e com menos descanso, isso nunca mais aconteceu, o meu azar passou e tenho uma vida normal com resultados positivos a nível profissional, pessoal e sentimental.

Sei que o meu trabalho, o meu sucesso, as minhas namoradas e o meu estilo de vida eram motivo de invejas, intrigas. De volta e meia tinha alguém a falar negativamente de mim nas minhas costas. Na minha vida sempre ouve lendas sobre mim, que pairavam como dúvidas, coisas que nunca me preocupei em confirmar ou negar, pois sempre me senti superior a intrigas. Combatia tudo isso vencendo as minhas batalhas diárias.

Tudo poderá ter uma explicação lógica.
Tudo poderá ter sido a minha mente a pregar-me partidas.
Tudo poderá ter sido uma acumulação de tanto mau karma, transpirado por certas pessoas.
Tudo poderá não ter qualquer tipo de explicação lógica.

Percebi a Lei de Murphy que diz que "quando alguma coisa pode correr mal, vai correr mal", quando pensamos que tudo corre mal, pode ainda correr pior.
Temos é de compreender, quando devemos de usar a nossa pouca força que resta, para lutar ou fugir.
Já que estamos a cair, não vale a pena lutar contra a queda, pois ela é inevitável. Devemos deixar-nos ir, guardando as forças que ainda temos, pois ao chegar ao fim do poço, só existe um caminho e esse caminho, é para cima. Lutar para voltar à superfície e não parar aí. Para um dia podermos olhar de cima para baixo, sobre todos esses sentimentos de inveja insignificantes, que depois já não nos atingem.

Sei que nada disso me voltará a atingir, pois essas pessoas são como moscas.

Esta noite acordei a meio do meu sono. Abri a janela e estava um frio horrível com um leve manto de neve que cobria tudo. Fico a observar o rio, coberto por um manto de nevoeiro. A certa altura algo despertou a minha atenção, do meio do nevoeiro observo algo que me é familiar.
Um vulto de mulher, vestida de azul, que lentamente saía do nevoeiro, aproximando-se de terra.
Não estava a dormir, nem dormi mais. Ela encontrou-me...

Matei-o (Parte 3/3)  

Posted by Bruno Fehr in

Acordo. São 16 horas, o meu quarto está escuro por estar aqui fechado há 25 dias. Por todo o lado, vejo livros de medicina, onde aprendi e aprendo como dissecar corpos. A localização das artérias, os pontos mais sensíveis à pressão, à dor. Livros, sobre os maiores criminosos de todos os tempos. O Código penal. Livros de direito onde estudei casos de crimes violentos.
Objectos de estudo em busca de um crime original e da maneira perfeita de bater o sistema, numa possível luta judicial. É impossível ser apanhado ou pelo menos castigado. O crime só não compensa quando é crime. Neste caso é justiça. A minha divina justiça de adaptar o mundo à minha vontade.

Não abro nem uma janela, quero a escuridão, ela é minha amiga.
Como é bom saber que vou matar, quem merece morrer. Alguém que ousou mudar o mundo que eu moldo, que eu controlo. Ninguém o pode fazer. A minha vontade é superior, é divina. Eu sou mais do que o meu próprio Deus, eu sou normal entre os Deuses, sou mais um. Uma voz e uma vontade, decisiva no futuro de todos os básicos mortais que me contrariam.

Aquela senhora que representa a justiça, é o símbolo dos homens fracos. A fraqueza humana está patente naquela mulher, mal vestida, com uma balança de pesos adulterados, uma espada e vendada como que a pedir que abusem dela. Não. O símbolo divino da justiça, será a partir de hoje um busto, com a minha cara, o meu corpo. Numa mão um livro, representando o meu conhecimento superior, na outra uma espada, para matar quem ousar a questionar a minha vontade divina.

Sinto-me cansado e acordei há pouco. Tenho estudado uma média de 20 horas por dia, conheço as leis e o corpo humano ao mais pequeno detalhe. Quase que consigo sentir o doce cheiro de um cadáver, do cadáver dele.

Vagueio pela casa, protegido da luz natural, numa escuridão interrompida somente por velas solitárias.
Vou à cozinha para comer algo, quando vejo o meu reflexo no espelho do corredor. Paro.

A minha cara está pálida como se fosse um fantasma, meus olhos encovados e sem brilho, rodeados por umas olheiras que se perdem na minha barba, que cobre o restante da minha cara.

"Quem és tu?", pergunto eu ao reflexo.

O reflexo observa-me sem responder. Num acesso de raiva parto o espelho num só murro.

Observo ao longe uma luz intermitente. É o meu telemóvel junto ao telefone fixo onde o deixei à 25 dias a carregar. Olho para o telefone e o visor do atendedor de chamadas, regista 32 mensagens. Pego no telemóvel e tenho 34 mensagens não lidas e 62 chamadas não atendidas. Alguém me procura, gente que ignoro, procura-me.

A caminho da cozinha a escuridão da casa é interrompida por uma luminosidade por debaixo da porta. Aproximo-me e abro a porta da sala. A luz vinda da janela do terraço, cega-me. Os olhos doem-me, a luz magoa-me os olhos e arde-me na pele.
Fazendo um esforço enorme para ver, aproximo-me da janela e passado minutos vejo a rua, o mundo.
Tudo está igual, nada mudou. Só eu mudei.

Viro costas à luz e ao mundo, sabendo que iria voltar, abro todas as janelas deixando entrar a luz e ar.

"Está na hora!" digo eu com uma convicção que nunca tive.

Arranco as roupas já coladas ao meu corpo e forço-me a um duche frio, para retirar o cheiro a podre que emanava e faço a barba.
Então, olho-me no espelho novamente e vi outra cara. Um tom rosado de pele, um brilho forte nos olhos, parecia ver as olheiras a desaparecer. Sorri, por me reconhecer.

"A ti conheço-te", disse eu para o meu reflexo.

Após vestir roupa lavada, pego nas chaves do meu carro e saio de casa.

"Matei-o, finalmente, matei-o", disse eu já na rua ao sentir o calor agradável do sol na minha pele.

Era mesmo verdade, ele estava morto. O responsável por tudo o que me corria mal. O objecto de todo o meu ódio. Com ele morreu o ódio que me consumia por dentro.
Ele morreu e fui eu que o matei!

Matei parte de mim.

FIM

Matei-o (Parte 2/3)  

Posted by Bruno Fehr in

Tenho todos os dados do gajo, agora é só decidir como o vou fazer.

Uma facada, um tiro, espancamento, imolação, tortura ou uma paulada no queixo. Tantas maneiras apelativas de o mandar para a quinta dos calados.

Com faca. Poderia usar uma técnica militar. Uma faca bem afiada nas costas. Uma facada de baixo para cima de penetração lenta no pulmão direito. Ele sente a dor da lamina em todo o seu esplendor sem conseguir soltar um único som. Poderia ser feito num local publico, à vista de toda a gente, ninguém vê.
O problema são as câmaras de vigilância e a falta de álibi, é que não me dá jeito nenhum ir preso. Por outro lado, uma morte publica faria dele uma espécie de lenda urbana, o que não me agrada.

A vantagem da facada nas costas é que antes de morrer ele pensaria, "quem foi? Porquê?". Não. Não serve eu quero olhá-lo nos olhos teria de ser uma facada de frente. Ver o olhar de surpresa dele e o brilho dos olhos lentamente a desaparecer à medida que a vida o deixa. Mas é muito badalhoco, ficava com o sangue dele nas minhas mãos e roupa.

Um tiro. Observando a localização dele e o local onde ele estaciona o carro, vejo que poderia ficar numa estrada paralela e atirar a 200 metros de distância através de um descampado. Tendo em conta a distância do tiro, a movimentação dele a pé e a minha experiência militar, tenho 90% de chance de o matar ao primeiro tiro, 100% ao segundo.
A arma. Apesar de ser fácil comprar uma arma com mira, além de dispendioso corro o risco de ela ficar presa na alfândega ao ser importada, caso a encomenda seja das poucas que são verificadas. Também não serve.
Uma pistola com silenciador. Ele ao estacionar o carro, entro pela porta do pendura e Pufff, um tiro silencioso na tempera direita. Nem uma palavra, só um tiro. A bala atravessaria-lhe a cabeça de um lado ao outro, saindo com velocidade suficiente para fazer unicamente um buraco no vidro. O vidro ficaria sim com pedaços do seu cérebro, que escorreriam por ele abaixo, lentamente como gósma. Seria lindo de ver, uma história digna de contar um dia aos meus netos.

Espancá-lo até à morte, apesar de eu achar que me iria dar um prazer imenso, além de demorar tempo demais, é cansativo e barulhento. Há sérios riscos de ele escapar ou de alguém aparecer e me identificar.

Imolação. Banhá-lo em gasolina. Não. Gasóleo que é mais barato. Não. Melhor ainda, em gasóleo agrícola que além de ser ainda mais barato, ele não merece mais. Pegar-lhe fogo e vê-lo a arder. Poderia até assar umas chouriças nas chamas, embalado pelos seus gritos. Que manjar. Dois prazeres em um, vê-lo a sofrer enquanto aprecio uma bela chouriça assada no seu corpo.

Isto é tudo muito giro, mas preciso de um álibi. Preciso de em caso de ser suspeito, deixar de o ser. Não me apetece ser preso acabando por tornar-me a putinha de um gajo qualquer. Não posso ser preso, não quero apanhar no cu, pelo prazer de o ver morrer.

Telefono ao meu advogado:

"Ouve lá Vítor, qual é a melhor maneira de um gajo limpar o cebo a outro e safar-se em tribunal?"
"Mas o que estás tu a dizer?"
"Cala-te e responde, cabrão!"
"Bem, tendo como álibi alguém que testemunhe que estiveste noutro lado à hora da morte"
"Mas a pessoa usada como álibi, poderia lixar-me"
"Claro que sim"
"Tirando isso, existe outra maneira"
"Declarando insanidade temporária, o que é muito difícil ou insanidade mental, que é possível se o crime for extremamente violento"
"Ok, se eu matasse um gajo e em tribunal, desse umas cabeçadas na parede, gritando que foram as vozes dos marretas que me disseram para o matar. Isso poderia resultar?"
"Mas, tu estás louco?"
"Responde à puta da pergunta!"
"Sim, poderia"
"Ok, então safava-me?"
"Em vez de prisão, essa pessoa cumpriria pena mais leve num hospital psiquiátrico"
"Muito bom. Obrigado"
"Mas para que queres saber isto?"
"Mete-te na tua vida"

É isso. Para um gajo normal como eu, fazer-me de louco é fácil. Bastam uns gritos segurando a minha cabeça, atirando-me para o chão dizendo "as vozes, as vozes". Um hospital até seria fixe, iria deixar aqueles loucos todos, malucos mesmo. Poderia até realizar o meu sonho de ter um quarto, com chão e paredes almofadadas, deve ser muito fixe.

O crime tem de ter contornos macabros e violentos, para justificar a insanidade que não tenho. Se o matar a sangue frio de forma premeditada, arrisco-me a 20 anos.

A solução? Rapto e tortura.

Rapto o gajo e levo-o para uma das quintas abandonadas da minha família, nunca vai lá ninguém e tem caves e adegas que lembram masmorras, bem como ferramentas artesanais que seriam muito úteis.

Dia 1:
Começaria com agulhas, espetadas uma a uma com intervalos de 5 minutos durante 8 horas, debaixo das unhas das mãos e pés. Um total de 96 agulhas. Depois de tão árduo trabalho iria descansar para voltar no dia seguinte.

Dia 2:
Uma a uma arrancaria-lhe as unhas, uma unha a cada 24 minutos, apreciando a sua dor.

Dia 3:
Com uma tesoura de podar cortaria-lhe os dedos, uma falange de cada vez, três cortes por dedo. Que prazer maravilhoso.
Claro que lhe iria estancar o sangue, não fosse aquele cabrão esvair-se e morrer na minha ausência, acabando com a minha alegria. O meu direito à tortura.

Dia 4:
Com uma foice, cortaria-lhe os mamilos enfiando-lha no cu. Com um alicate de pressão arrancaria-lhe todo o seu cabelo.

Dia 5:
Usando a faca de abrir os porcos, iria fazer-lhe cortes por todo o corpo evitando veias e artérias. Quero dor, não quero que ele morra... Pelos menos por agora.

Dia 6:
A língua seria cortada com uma faca do mato. Os dentes arrancados 1 a um em busca de cáries.

Dia 7:
Abriria-lhe o saco dos testículos, retirando-os. Com uma colher arrancava-lhe os olhos. Colocava os testículos dele nas cavidades oculares e os olhos no saco dos testículos e cozia o saco.

Nenhum juiz iria duvidar que eu na verdade fingia a minha insanidade. Eu não sou louco, mas tenho de me fazer de louco se for apanhado.

Claro que para o manter vivo teria de lhe umas injecções de uma solução de água com açúcar, mas ele precisaria de água para sobreviver. Água não se nega a ninguém, por isso iria força-lo a beber uma solução de água com laudano. O laudano é um veneno sem cheiro e incolor, que mata lentamente deixando o sangue ainda quente.

Dia 8:
Seria o toque final. O terminar a minha obra de arte. O meu maior prazer. O meu direito.
Com uma anestesia parcial, de maneira a mantê-lo acordado ao ponto de sentir. Abriria-lhe o peito até expor o seu coração. Com um conta gotas, pingaria uma mistura de ácido sulfúrico com água. Uma solução suficientemente fraca para não corroer o coração por completo, mas forte o suficiente para queimar. Gota a gota, gota a gota, gota a gota... Até ver o coração dele finalmente parar.

Por fim retiraria-lhe o intestino, não para fazer morcelas, mas para enfiar o intestino grosso dele, pela boca ligando-o através do estômago ao intestino delgado.

Ai iria rir e rir, como um perdido. A minha obra completa.
O seu corpo ali ficaria a apodrecer. Ninguém ali entra, só eu. Tenho os meus dois Rotweiller's soltos e eles não deixam ninguém entrar. Ao contrário de mim, eles são maus e agressivos. Eu diria que os meus cães são psicopatas, loucos, não percebo como ficaram assim, sendo eu tão normal. Normal tendo em conta as pessoas de QI superior. Não esta cambada de ovelhas que povoam o mundo. Fantoches que precisam de ser liderados e educados por seres divinos na terra, como eu. Sou normal no seio da minha superioridade divina.

O crime justo, o crime quase perfeito. Mas não perfeito, porque há corpo.
Pensei em desfazer o corpo dele em ácido, mas sou incapaz de o fazer. Isso iria destruir a minha obra de arte, que quero guardar para sempre. Além disso destruía o meu álibi.

(termina a 9/11)

Matei-o (Parte 1/3)  

Posted by Bruno Fehr in

Mas que cabra!
Quer dizer, só porque eu resolvo colocar um ponto na relação, ela aceitou. Aceitou na desportiva como se lhe estivesse a pagar um copo. Mas o que é isto? Onde está a baba e ranho, a choradeira que me faz perdoar as paranóias dela? Eu coloquei um ponto e ela fez desse ponto um final. Mas que raio? Pensei que ela estudasse letras! O que eu aprendi em letras é que o discurso, estória ou qualquer texto não termina num ponto, mas sim num ponto final.

Cabrão como sou, faz parte de mim castigar as minhas namoradas como bem entender. Antes isso que lhes bater.

"Sei que fizestes merda e eu não estou para merdas, acho melhor ficarmos por aqui"
"Tu é que sabes"

E virou costas. Quando eu digo que sei, na verdade não sei. Sei lá. Na verdade sei mas não quero saber, sabendo. É a capacidade do homem de só ouvir o que lhe convém e só saber o que sabe e o que não sabe, não interessa e só não interessa porque não sabe, por isso diz não querer saber. Mas quer.

Eu esperava choradeira, mas nada. Nem piscou os olhos. E agora? Agora estou sem namorada e os gajos há minha volta vão atacá-la como sete cães a um osso.
Bolas. Agora quero-a de volta, só para a poder deixar. Não aceito que ela aceite o fim.
Se gosto dela? Bem, depende. O que é gostar? Gosto de estar com ela, mas odeio que ela manipule o meu tempo. Quero tê-la por perto mas não ter de estar sempre com ela, pendurada em mim, como se fosse um apêndice. Eu ainda tenho o meu apêndice, não o uso, mas tenho, não preciso de outro.
Sim, tudo bem há a questão do sexo. Mas nem é por aí além. O sexo com ela é bom, mas é sempre a mesma merda, ela não varia nem gosta de variar. No entanto é bom, porque ela é boa.

Claro que tentámos ter uma conversa e contou-me o que ela sofreu para me conquistar, enquanto me via a comer outras. E depois? Devemos lutar por quem queremos e se ela me queria, tinha de lutar. Eu nem tinha reparado que ela existia, quando reparei, comi-a.
Não é por causa de uns apalpões e beijos que iria namorar com ela, no entanto tornou-se tão habitual, que quando reparei, estava a namorá-la. Era invejado pelos outros gajos, mas não era feliz.

Sempre gostei muito de ter namoradas, mas as namoradas dos outros. Essas sim, não exigem nada em troca. Estão ali no momento e só contactam por mensagens secretas a meio da noite, para uma queca ocasional. Os namorados que sustentem os seus vícios, que aturem as suas birras, eu só dou a manutenção. Sou como um preparador físico e eles deviam era agradecer-me por terem melhor sexo.

Ou seja, neste caso fui deixado por deixa-la. Mas isto faz algum sentido? Como é que eu acabo e fico acabado. Porque raio sinto que perdi algo que resolvi deitar fora?
Tivemos a primeira conversa, que terminou comigo a tirar-lhe o soutien, pegar nela e levá-la para a minha cama.
Tivemos a segunda conversa em que ela diz que se está a apaixonar por um outro rapaz e eu, levei-a para a cama.
Estamos com a malta num bar e resolvemos ir a uma discoteca, a meio caminho, ela resolve ir praia a dentro.

"Onde vais?"
"Molhar os pés"

Vou atrás dela e acabamos a dar a queca na areia, com pulgas do mar e tudo.

Acabou o namoro e ela diz que quer que eu continue a ser, quem fui antes de namorarmos. Ora, tudo bem, eu não acredito na da amizade depois do namoro. Além disso, antes de namorar não fodiamos como coelhos depois da terceira frase.

Certo dia, estava eu no meio de uma queca e recebo um sms. Como sou cavalheiro, só vi o sms depois de terminar a queca.
Era ela.

"Preciso de falar, podes vir ter comigo"

Eu fui e mesmo estando num estado pós coital, dei-lhe uma valente que ela adormeceu de seguida.
Olhem só esta merda, então não é que a minha ex passou a ser como as amigas dela? Uma foda ocasional. Ocasional mas das chatas. É que eu nas ocasionais, gosto das que digam "fode-me", antes de sexo e "vai-te foder", depois do sexo. Esta diz-me "fica". Medo, muito medo!

Dizem que é das mamas. Uma amiga que tem mania que é psicóloga, disse-me que os rapazes que não foram amamentados, têm tendência para gostar de mulheres com mamas grandes. Que teoria de merda. Então qual será desculpa desta "psicóloga", para ser ninfomaníaca? Para a agradar tenho de dar o litro até ficar seco por dentro.
Sim. A minha ex tem umas mamas grandes, mas não é isso que me atraí nela. Acho até que são um desperdício pois eu não tenho mãos para aquilo tudo e quando as agarro, só penso como seria bom ter três mãos.
Já tive maiores. lembro-me de um par de mamas que certa noite me tentaram matar. Andei metido com uma Luso-Francesa; que era a minha foda de verão, visto que só vinha a Portugal em Agosto. Achei que come-la seria uma excelente oportunidade de não desaprender o meu Francês, mas nós não falávamos, só fodiamos. A primeira vez que a comi nem deu para chegar a casa foi mesmo ali, dentro do carro na berma da estrada. Na segunda vez, que conseguimos chegar a minha casa, a foda começou ainda nós nos estávamos a despir. Com ela por cima, tiro-lhe o soutien e reparo no meu erro. Aquelas duas bolas brancas com os bicos espetados caem em direcção à minha cara. Eu só pensei, ou sufocam-me ou os bicos furam-me os olhos. A minha vida foi salva quando aqueles peitos exagerados pararam a um milímetro da minha cara. O alívio foi incrível, dei-lhes uma dentada, que me motivou para a minha performance.

As mamas da minha ex, eram grandes mas não a ponto de me tentarem matar. Não foi isso que me atraiu nela. Nem sei o que me atraiu, acho que foi o fascínio dela por mim. Adoro ser mimado e idolatrado, mereço-o.

E tal e coiso e coiso e tal, fico a saber que o gajo que ela gosta namora e parece não querer deixar a gaja, porque ela tem mais dinheiro que o Belmiro de Azevedo.
Tenho de saber quem é este filho da puta, ou parto-lhe os cornos ou fodo-lhe a namorada. A primeira opção parece-me fácil demais, opto pela segunda. Em 24 horas já sei quem é o gajo. Morada, numero de telefone, local de trabalho, o carro que tem, matricula, os locais que frequenta. É mesmo um filho da puta, pois conheço-o já há muitos anos, mas nunca fui com o focinho dele, desde que lhe parti o focinho.
Só não lhe comi a namorada, pois no Zoo há fêmeas bem mais atraentes fechadas em jaulas.

Todos me perguntam e ninguém percebe.

"Mas vocês acabaram ou não?"
"Acabámos"
"É que os vejo juntos, continuam a sair juntos"

Eu sei que é estranho, mas eu deixei-a para ela se sentir deixada e não para aceitar daquela maneira, sentindo-me eu deixado. Por isso tenho de a conquistar para a deixar de uma forma mais dramática. Quero lágrimas, porra! Até as pode fingir, não me importo com esses detalhes.

Correu mal, não conseguia comer a gaja dele, nem que ela se cobrisse de notas de 500 Euros. Mas ele começou a comer a minha ex. Só a ideia de colocar o meu pénis onde ele já poderá ter colocado o dele, mete-me nojo. Não me refiro à namorada dele, pois no caso dela basta vê-la a 300 metros para me dar azia. Refiro-me a colocar o meu pénis onde já o coloquei inúmeras vezes e ele poderá andar lá agora, ou seja na rata da minha ex.

Vou deixar de a foder, passando a foder só as amigas.

Na queima das fitas, vou visitá-la. Saímos e bebemos como uns tolos. Estivemos separados perto de uma hora, pois uma amiga dela precisava de manutenção. Não namoro e não lhe devo nada, então vamos a isso. Ao voltar para junto dela, nem uma pergunta me fez, óptimo eu não lhe iria mentir, mas iria com toda a certeza ocultar a verdade.

Já pela manhã, quando vamos para a casa dela, deu-me tesão novamente. Tentei dar-lhe uma e ela diz-me:

"Não, não quero"

Não queres? Depois de estarmos no marmelanço durante uma hora. Depois de eu já estar em sentido, dizes não?
Adormeci mas demorei imenso tempo, primeiro tive de esperar que o meu Júnior adormecesse. Pela tarde, ela acorda-me toda enroscada a mim e quando dou por ela, estava a ser montado como se fosse um animal de rodeo. Gosto muito desta merda.

Mas eu sou uma pessoa. Também tenho sentimentos, alguns sentimentos, os que me
convêem, quando me convêm. Senti-me violado, o que não me irrita muito, mas senti-me usado o que deixa furioso.
Aqui o je não fodes mais. E não fodeu. Sinto bem, mas lamento as fodas não dadas.

Com esta decisão, afastei-me dela ao afastar-me ela deixou-se afastar e quando apareci novamente parecíamos desconhecidos.
Claro que não me afastei, afastei-me dos olhos dela. Todas as noites esperei à sua porta para ver se saía. Sempre que saía, segui-a para onde quer que fosse. Sozinha, com ele, tanto faz. Queria ver para crer.Vi mas não me chegava, o que fazia era errado? Claro que não! Era certo, mais certo ainda era torcer os pescoço aos dois.

Os meus amigos estavam comigo e com ela. Os montes de merda, que são o infiltras no meio dos meus amigos estavam com ela, ignorando-me. Ora muito obrigado, eles sabem que os odeio e que só preciso de um olhar atravessado, para voar 5 metros e lhes partir o focinho. Eles sabem disso e sorriem como os macacos, daquela maneira estúpida de quem não sabe o que está a fazer e acha que sorrir com dentes amarelos e mal tratados é sinal de simpatia. É uma ofensa! A exposição de uma dentadura manchada de tabaco e café ofende-me e apetece parti-los um por um, pois a ausência de tais presas não me dá enjoos.

O gajo, acabou por deixar a mina de ouro dele, feia como o passado de uma puta de berma de estrada. Agora saia regularmente com a minha ex. Está mal. Eu ainda reclamo propriedade. Ela ainda não se lavou vezes suficientes para retirar o meu cheiro do seu corpo.
A vida é uma selva e o que tem o meu cheiro é meu. Se não é meu, não é de mais ninguém.

Pareço um psicopata a falar. Daqueles que são deixados e matam a ex e o amante dela. Eu não sou louco, eu nunca iria fazer mal àquela miúda, ela é fixe. Por isso, vou matar o gajo!


(Continua a 07/11, termina a 9/11)